
Florianópolis, até o início dos anos 70, tinha o mar junto ao centro histórico. O mar, seu
ritmo, seu cheiro, seu ‘temperamento’, as práticas, usos e técnicas por ele demandados,
implicam na maneira das pessoas relacionarem-se com este meio. Seus hábitos, enfim, suas
formas de produzir cultura, todos os seus equipamentos sociotécnicos ligados ao mar, compõem a maritimidade do lugar. Existia um contínuo entre a cidade e o mar. Existiam rampas, trapiches, praia, escadas, que permitiam o acesso às águas, amuradas que evitavam os naufrágios dos automóveis. O Aterro não só afastou o centro histórico do mar, mas fundamentalmente, anulou a maritimidade desta parte da ilha.