O ato de “caminhar”, seja ele físico ou virtual, contribui para resgatar os diversos significados da cidade e, por consequência, do Mercado.
É caminhando que o estudante vai sair do seu ritmo frenético e raciocinar a respeito das mudanças que ocorreram ou estão ocorrendo.

O “FLÂNEUR” é o caminhante que, vagarosamente e sem rumo, vislumbra todos os detalhes de uma cidade.
O “ZAPPEUR”, é o caminhante que, mesmo imerso em um infindável teclar e parecendo alheio ao mundo exterior, convive com uma rede de sons e ideias que refletem esse mundo exterior do qual ele parece desconectado.
O “flâneur” quer conhecer a cidade perdendo-se nela. O “zappeur” aparenta estar perdido e não ligar para a cidade, mas talvez tenha uma forma própria de explorá-la e conhecê-la.
Tanto o “flâneur”, citado por Charles Baudelaire no século XIX, quanto o “zappeur”, citado por Marco Toledo de Assis Bastos, no final do século XX, parecem distantes no tempo, mas tem sua visão própria e única da cidade.
Um caminha pelo Mercado ao sabor da visão, do olfato e da audição. O outro caminha guiado por aquilo que as redes sociais e os algoritmos oferecem. O que chamar a atenção será motivo para uma apreciação ou um questionamento. Pode ser um produto, uma música, uma conversa ou mesmo uma parte do prédio. Dependendo do estímulo e da sua identificação, sua atenção poderá alongar-se.
A proposta do site é utilizar os caminhantes como fio condutor para desenvolver o olhar do estudante acerca de métodos de análise que levem a ver o patrimônio em uma profundidade pouco costumeira e a partir de pequenos detalhes. Eles vão usar as fontes como pistas de um passado que parece escondido nas paredes e corredores do Mercado.
A ideia de utilizar fontes como pistas remete ao “paradigma indiciário”, do historiador italiano Carlo Ginzburg, e é um modelo de interpretação baseado na busca de indícios para reconstruir histórias, usando uma metodologia de investigação que considera a dúvida como parte integrante do processo de conhecer, partindo do pressuposto de que a realidade está repleta de pequenos detalhes que permitem vê-la numa profundidade pouco costumeira.