
A história do Mercado Público de Florianópolis deve posicionar o protagonismo negro local em sua conformação. Afinal, foram as quitandeiras, quituteiras e pombeirosde descendência africana que motivaram a sua construção, em 1851. E, mais ainda, foram essas/esses trabalhadoras(es), exploradas(os) dentro do sistema escravagista do século 19, que dinamizaram o ofício do comércio na cidade.
As mulheres de descendência africana da Freguesia do Desterro vendiam diversos produtos, como doces, legumes, frutas, comida preparada e peixe seco. No entanto, a presença dessas trabalhadoras negras no centro da capital da província causava desconforto na elite e legisladores locais, que estavam preocupados com uma ideia de embelezamento e estética da cidade.Segundo eles, era necessário remover essas mulheres do local para garantir o “bom gosto” e a “formosidade” do espaço.